Bolsonaro volta a ignorar orientações de distanciamento social em cerimônia no Planalto

O presidente Jair Bolsonaro voltou a descumprir nesta sexta-feira (17) as orientações de especialistas e da Organização Mundial de Saúde, que recomendam distanciamento social como um dos meios para conter a disseminação do coronavírus.

Desde o começo do dia, Bolsonaro provocou aglomeração, se aproximou de pessoas e distribuiu apertos de mão.

No início da manhã, ao deixar o Palácio da Alvorada, o presidente se aproximou de apoiadores e autografou o jaleco de um deles.

Em seguida, foi para o Palácio do Planalto, onde participou da cerimônia de posse do novo ministro da Saúde, Nelson Taich, que substituiu Luiz Henrique Mandetta, demitido justamente em razão de divergências com o presidente em relação ao isolamento e ao distanciamento social.

Ao chegar à cerimônia, Bolsonaro levou a mão ao nariz e à boca, atitude que favorece a contaminação, segundo médicos.

Minutos depois, o repórter cinematográfico Rafael Sobrinho registrou o momento em que Bolsonaro, cobrindo a boca, chega bem perto do procurador-geral da República, Augusto Aras, e fala com ele ao pé do ouvido. Em seguida, o presidente aperta a mão de autoridades.

Ao fim da cerimônia, os convidados se cumprimentaram, apesar das recomendações para que, neste momento de pandemia, as pessoas mantenham distância uma das outras e evitem apertos de mão e contatos físicos.

O presidente afirmou que corre “risco” ao defender a retomada do comércio no país, porém acredita que essa é a medida correta para lidar com o combate ao coronavírus e ao desemprego.

Em pronunciamento durante a cerimônia, Bolsonaro defendeu a reabertura do comércio e das fronteiras do Brasil com outros países.

“Essa briga de começar a abrir para o comércio, é um risco que eu corro, porque se agravar vem para o meu colo. Agora, o que acredito, o que muita gente já esta tendo consciência: tem que abrir”, afirmou.

Nesta quinta-feira, ao ser anunciado como ministro, Nelson Teich afirmou que não haverá “definição brusca” em relação às orientações sobre isolamento social. Em artigos publicados recentemente, Teich, que é médico oncologista, se manifestou a favor do isolamento horizontal (amplo), a exemplo do antecessor Mandetta.

Desde o início da epidemia, Bolsonaro já fez passeios por Brasília em fins de semana, com visita a farmácias e padarias, contrariando orientações do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que recomendava “máximo grau de distanciamento social”.

Nessas saídas, a presença do presidente provocou aglomerações e ajuntamentos. O presidente cumprimentou, abraçou e fez fotos com pessoas.

No último sábado (11), Bolsonaro esteve com Mandetta e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM) em uma visita ao hospital de campanha que o governo federal está instalando no município de Águas Lindas de Goiás.

Diante de Mandetta e do governador, que também é médico, Bolsonaro tirou e ficou segurando com a mão a máscara de proteção, infringindo o protocolo de segurança. Uma das apoiadoras chegou a beijar a mão de Bolsonaro, que não tinha sido higienizada naquele momento. Também fez uma caminhada por uma rua próxima, gerando aglomeração de moradores.

Na véspera, sexta-feira (10), ele já havia saído do Palácio da Alvorada para ir a farmácia, visitar um prédio residencial e o Hospital das Forças Armadas. Em todos os momentos, esteve cercado por pessoas que o vaiaram e aplaudiram.

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